A Ressaca


     No momento em que acordamos as perguntas: "quem sou?"; "o que faço aqui?" são respondidas subitamente, mais rapidamente que um abrir de olhos. Consequentemente, recordamo-nos da nossa rotina e, se em certos dias podemos dar-nos aos luxo de dormir "só mais 5 minutos", adiando o momento de confrontar a realidade, há dias em que a realidade nos atinge como um grande balde de água fria.

     Hoje, como era de esperar, a realidade atingiu-me mais uma vez. No momento de sobriedade não conseguia arranjar resposta à pergunta que faço sempre que acordo dentro de uma cama que não é a minha: "o que é eu estou aqui a fazer?" e, não tendo, literalmente, para onde me virar, arregalei os olhos para o mundo e levantei-me, na esperança que esta ressaca que sinto me fizesse esquecer a procura de respostas que não tenho. 

     Por entre os lençóis, e já habituado aos meus "ataques de realidade" dizes-me baixinho: "bom dia" e voltas a dormir na tua realidade (ainda) embriagada.

     Nunca soube o motivo de voltar sempre a tua casa, quando digo não o voltar a fazer. Talvez o motivo seja o de querer olhar para ti de manhã e reconhecer que é aqui que eu quero estar. A esperança de acordar e a realidade e o sonho se confundirem. Contudo, o problema é ter estado a vida toda a sonhar com príncipes encantados o que, resultou na certeza de que não existem.

    Não és tu e também não é o tempo que vai determinar se o és, como nos tentamos, constantemente, convencer. A verdade é que somos dois pólos opostos, ainda que a lei da atracção nos arraste, como ímanes, de volta um para o outro. Se não existe barreira física nem visual entre nós e se em ti vive um sentimento que não é por mim correspondido então tem de haver alguma forma de deixarmos de cometer os mesmos erros. Se já não somos crianças, porque é que tentamos convencer-nos que entre nós existe alguma coisa a mais que solidão, nua e crua?

      Sempre preferimos a companhia um do outro a estarmos sós mas só a nós nos enganamos.

     Mas hoje, como era de esperar, escrevo-te de novo, procurando não te confrontar com receio de que em vez de estarmos um contra o outro, estejamos os dois do mesmo lado. 

     P.S.: Esqueci-me dos brincos




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