No momento em que acordamos as perguntas: "quem sou?"; "o que faço aqui?" são respondidas subitamente, mais rapidamente que um abrir de olhos. Consequentemente, recordamo-nos da nossa rotina e, se em certos dias podemos dar-nos aos luxo de dormir "só mais 5 minutos", adiando o momento de confrontar a realidade, há dias em que a realidade nos atinge como um grande balde de água fria. Hoje, como era de esperar, a realidade atingiu-me mais uma vez. No momento de sobriedade não conseguia arranjar resposta à pergunta que faço sempre que acordo dentro de uma cama que não é a minha: "o que é eu estou aqui a fazer?" e, não tendo, literalmente, para onde me virar, arregalei os olhos para o mundo e levantei-me, na esperança que esta ressaca que sinto me fizesse esquecer a procura de respostas que não tenho. Por entre os lençóis, e já habituado aos meus "at...
(...) Esses homens, que posam como livros na minha prateleira intocável, muitas vezes ganham vida e saem dessa prateleira. E isso é um grande problema! Imaginem que têm uma paixão, seja ela momentânea ou platónica, às vezes o facto de esse livro sair da prateleira só vem dar razão a quem disse que não se deve julgar um livro pela capa. (...) Uma vez conheci um. Autorizei-me a ler, letra a letra, o que me dizia, sem nunca deixar que ele compreendesse as entrelinhas em que escrevo, rasurando toda a vulnerabilidade das minhas folhas e apresentando-me como um livro de capa rija. Combinámos não especular e especulei. Especulei como seria a sua voz, por só conhecer a sua voz cantada, qual a sua altura visto que a escala fotográfica é enganadora, que perfume usava e até mesmo o que poderia sentir aquando da sua presença física. Não somos todos especuladores e expectantes? Tinha deixado a vida de estudante para se dedicar à vida que sonhara, vivia agora o seu sonho e “fazia o q...
Após uma adolescência a repetir, em inúmeras situações: “A minha vida é a uma novela mexicana”, e posteriormente à aprovação das minhas amigas, aqui está ele! Este será, espero, o meu novo diário, retirando assim, dos ombros das pessoas que me acompanham, ouvem e aconselham, um certo peso. Intitulei-o de “O que não disse, escrevi” por estar cansada de não dizer. Cansada de não haver um ponto final nas odisseias da minha vida, cansada de não ter oportunidade de falar, cansada de não haver mais nada a dizer. Refazendo um ditado popular: “O pior surdo é aquele que não quer ouvir”, por isso escrevo. Escrevo motivada por uma necessidade de descrever, não para os surdos mas para quem quiser ler, os prognósticos dos meus desamores agridoces.
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