A TRÊS - Parte I

“ - A verdade é que eu estou numa relação confortável” - dizia-me ele, referindo-se a uma relação que não a nossa, quando a única verdade é que, ainda assim, ali estávamos os dois, deitados sobre a minha, confortável, cama.

De facto, no que diz respeito a “estas” verdades, parece sempre mais fácil partilhá-las com quem não partilhamos uma relação emocional. Até parece uma daquelas frases feitas e seria bonita, não estivesse ele a mentir a outro alguém. Omitir, perdão! Para ele, ele está SÓ a omitir (o que torna tudo mais desculpável).
Como é que uma, suposta, one night stand podia ter atingido tal dimensão? Era eu cúmplice deste erro? Ainda que  ele nunca se tenha referido à nossa relação como um erro, eu vou ser sempre uma mentira (omissão, como preferirem) na relação que mantêm, mesmo no dia em que este affair terminar.
Para ele, nós não passamos de uma “pequena omissão”. Para mim, ele tem uma relação a três: uma comigo, outra com ela.

A diferença entre estas duas relações é que, eu soube, desde início, a existência “deles”, ao contrário dela que, sem saber, é um dos vértices de um triângulo (quase) amoroso. 

Mas aqui, neste quarto, sobre a minha cama, ela não existe e, na casa deles, eu também não. Prometi a mim mesma que ia deixar nas mãos dele quando, como e se alguma vez ela devia aqui entrar. Até que, antes de se levantar, muda de assunto de forma abrupta e diz-me: “ - A verdade é que eu estou numa relação confortável”.

“- Confortável é um sofá” - respondi. 

(Continua…)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Ressaca

Julgar O Livro E Não A Capa!